ATE PASSARINHO PASSA
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ATE PASSARINHO PASSA

Nossa casa já não existe. A memória do narrador desloca-se para o tempo em que a casa ainda não passara, estava lá, com a varanda de ladrilhos xadrez, frios e limpos em que se enroscavam galhos de maracujá. De dia, borboletas, abelhas, cigarras; de noite, vagalumes pingando luz e miúdos insetos dançarinos ao redor da lâmpada. A varanda de ladrilhos xadrez, frios e limpos em que se queixava das partidas, das perdas, dos desencontros; que acolhia suspiros, suspeitas e sonhos. Era na varanda que os passarinhos vinham colher migalhas deixadas de propósito. Aos olhos encantados do menino que já adivinhara possuir alguma pequena tristeza trazida pela chuva fina, pelo absurdo do presente, pelo convite que a madrugada fazia para viver mais um dia,os passarinhos pareciam existir sem tristeza, em suas penas brilhava só contentamento. Dentre todos os passarinhos, havia um mais amado. O menino aguardava ansioso sua presença, que aquecia a varanda de ladrilhos frios e limpos. Mas numa manhã, ao acordar, o menino vê, com olhos embaçados de perda e susto, um pequeno embrulho de penas no chão da varanda agora mais fria. No escuro da primeira noite, em crua solidão, um pensamento acompanha o menino: até passarinho passa.
Editora: MODERNA
ISBN: 8516036413
ISBN13: 9788516036416
Edição: 1ª Edição - 2003
Número de Páginas: 32
Acabamento: BROCHURA
Formato: 17.00 x 24.00 cm.
por R$ 45,00