FILANDRAS

FILANDRAS

"FILANDRAS marca a estréia da escritora mineira Adélia Prado na Editora Record, que vai reeditar sua obra, com um novo projeto gráfico. Coletânea de contos que tratam de amores, desejos, frustrações e sonhos. FILANDRAS, seu primeiro inédito desde 1996, revela uma contista sedutora e sutil por trás da aclamada poeta Adélia. Segundo dicionários Filandras seriam, entre outras definições, ""fios delgados e longos"", ""flocos que esvoaçam pelo ar e cobrem os vegetais"". Os contos de Adélia neste livro são realmente filandras - delicados fios esvoaçantes. Quando os alcançamos se desfazem como sonhos. As 43 histórias do livro podem, certamente, ser lidas separadamente. Mas ganham outra dimensão quando se começa a unir os fios, os pequenos detalhes que revelados em cada uma delas permitem construir a vida de seus personagens. As personagens de FILANDRAS - mulheres simples do interior e seu cotidiano - revelam aos poucos uma personalidade forte, mesmo quando submissas. Todos os contos têm como personagem principal mulheres. E que mulheres: a avoada Olinda; a racional Célia; a sedutora Calixtinha; a insegura Ester. Carolas, em crise, amélias, devotas e apaixonadas. Em uma segunda análise, as mulheres de Adélia são todas as mulheres do mundo. Repletas de nuances e fases (como a lua). Em Análise, por exemplo, a protagonista dispara: ""Natureza de mulher é de obedecer, de admirar, de servir, natureza de formiga, de abelha operária e gata no borralho, senão, meu deus, não sobra espaço para ela virar Cinderela"". Assim como as mulheres, o sentido de religiosidade está presente em grande parte dos contos do livro, retratando parte da realidade da vida no interior do Brasil. Muitas vezes, Adélia opta por expor conflitos entre o sagrado e o profano, como em Luz em resistência. Uma mulher revela seus pensamentos e desejos com um homem proibido. Ao mesmo tempo que a autora desvela o desejo, também cria barreiras ao homem, ora como um amigo, ora como um amante. FILANDRAS trata de amor, de desejo, de coisas e gentes a conquistar e as que ficaram pelo caminho - perdidas, largadas, esquecidas. Uma sinuosa viagem pelos caminhos do coração. Numa narrativa extremamente pessoal, Adélia volta a temas recorrentes em sua literatura: a vida provinciana, a religiosidade, as cores do campo, num espelho de sua própria experiência. Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935, filha do ferroviário João do Prado Filho e de Ana Clotilde Corrêa. Leva uma vidinha pacata naquela cidade do interior: inicia seus estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato e mora na rua Ceará. No ano de 1950 falece sua mãe. Tal acontecimento faz com que a autora escreva seus primeiros versos. Nessa época conclui o curso ginasial no Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração, naquela cidade. No ano seguinte inicia o curso de Magistério na Escola Normal Mário Casassanta, que conclui em 1953. Começa a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho em 1955. Em 1958 casa-se, em Divinópolis, com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil S.A. Dessa união nasceriam cinco filhos: Eugênio, Rubem , Sarah , Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966). Antes do nascimento da última filha, a escritora e o marido iniciam o curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis. Em 1972 morre seu pai e, em 1973, forma-se em Filosofia. Nessa ocasião envia carta e originais de seus novos poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant""""""""Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade. ""Moça feita, li Drummond a primeira vez em prosa. Muitos anos mais tarde, Guimarães Rosa, Clarisse. Esta é a minha turma, pensei. Gostam do que eu gosto. Minha felicidade foi imensa. Continuava a escrever, mas enfadara-me do meu próprio tom, haurido de fontes que não a minha. Até que um dia, propriamente após a morte do meu pai, começo a escrever torrencialmente e percebo uma fala minha, diversa da dos autores que amava. É isto, é a minha fala."" Em 1975, Drummond sugere a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, que publique o livro de Adélia, cujos poemas lhe pareciam ""fenomenais"". O poeta envia os originais ao editor daquele que viria a ser Bagagem. No dia 9 de outubro, Drummond publica uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora. ""Bagagem, meu primeiro livro, foi feito num entusiasmo de fundação e descoberta nesta felicidade. Emoções para mim inseparáveis da criação, ainda que nascidas muitas vezes do sofrimento. Descobri ainda que a experiência poética é sempre religiosa, quer nasça do impacto da leitura de um texto sagrado, de um olhar amoroso sobre você, ou de observar formigas trabalhando."" O livro é lançado no Rio, em 1976, com a presença de Antônio Houaiss, Raquel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitscheck, Affonso Romano de Sant""""""""Anna, Nélida Piñon e Alphonsus de Gu
Editora: RECORD
ISBN: 9788501062727
ISBN13: 9788501062727
Edição: 7ª Edição - 2001
Número de Páginas: 160
Acabamento: BROCHURA
Formato: 14.00 x 21.00 cm.
por R$ 47,90