A palavra hegemonia resume bem o significado da conquistabrasileira da Copa de 2002, oito anos depois do tetracampeonato, nosEstados Unidos. Desde o primeiro mundial, em 19301, nunca uma seleçãotinha conseguido abrir dois títulos de vantagem sobre os adversários,no caso Itália e Alemanha que, na época, possuíam três conquistas.O pentacampeonato foi a última vitória expressiva do Brasil que, em2026, só poderá ser igualado por Alemanha ou Itália, tetracampeãs. Ouseja, serão quase três décadas de uma liderança incontestável no futeboldo planeta, apesar das grandes decepções das últimas cinco Copas,como a malfadada derrota para os alemães, por 7 a 1, em 2014.A cultura esportiva brasileira é realmente cruel: a seleção do pentaparece ser mais reverenciada no exterior do que aqui no país. O objetivodeste livro é mostrar que essa equipe deve ser motivo de orgulho paraos fãs do futebol bonito e bem jogado. Das cinco conquistas brasileiras,as equipes de 1970 e 2002 são as únicas que venceram todos os jogos,algo que apenas o Uruguai, em 1930, e a Itália, em 1938, conseguiram.21. Ano da primeira Copa do Mundo, no Uruguai.2. Vale lembrar que Uruguai e Itália chegaram ao título depois de quatro partidas. Em 1970, acampanha tinha seis jogos e, desde 1974, para vencer a Copa, é necessário disputar sete duelos.Em 2026, passam a ser oito jogos.As seleções do tri e do penta também são as mais ofensivas entre ascinco campeãs: a de 70 marcou dezenove gols em seis jogos, e a de 2002fez dezoito em sete partidas. Com Ronaldo Fenômeno, que marcou oitogols, a equipe nacional voltou a ter o artilheiro da Copa depois de décadas.A história do mundial de 2002 também é marcada pela superaçãopessoal do camisa 9 do Brasil, que foi do inferno ao céu: da derrota para aFrança, na final de 1998, passando pelas gravíssimas contusões no joelho,que quase o inviabilizaram para o futebol, até a volta por cima na conquistado pentacampeonato, com direito a dois gols na finalíssima contraos alemães. Ronaldo repetiu o feito de Pelé, que na decisão de 1958,diante da Suécia, balançou as redes adversárias duas vezes.Aquele mundial também é lembrado pelos brasileiros por causada diferença de fuso em relação à Ásia. O duelo contra a Inglaterra, porexemplo, pelas quartas de final, começou às 3h30 (horário de Brasília).Os fanáticos por Copa, que sempre assistem a todos os jogos, penarampara ficar acordados. Muita gente colocava o despertador, mas, às vezes,não acordava ou voltava a pegar no sono no meio das partidas. Possodar um testemunho pessoal de que não era fácil.Em 2002, já formado em jornalismo, eu trabalhava havia seisanos na Eldorado (emissora do Grupo Estado), rádio que não tinhacobertura de futebol. Dos estúdios, em São Paulo, eu participava doEldorado Esporte, apresentado pelo querido amigo Ary Pereira Júnior, etrazia durante o programa curiosidades sobre as Copas. Fora isso, acompanheio mundial na Ásia como mais um dos 180 milhões de brasileirosque torceram muito pela seleção e para o trio Ronaldo, Ronaldinho eRivaldo. A imagem do capitão Cafu, que quebrou o protocolo ao subirem um pedestal para receber a taça de campeão, marcou-me parasempre. O brilho nos olhos do camisa 2 deve servir de exemplo para ofutebol brasileiro voltar a vencer.Chegou a hora de contar a história da quinta estrela da seleçãonacional: com percalços, desafios e superações, foi uma vitória heroica,conquistada durante as madrugadas frias em boa parte do territóriobrasileiro, no mês de junho de 2002.Thiago Uberreich/novembro de 2025.