A história da humanidade pode ser lida como a história da Salvação — e, ao mesmo tempo, como o confronto incessante entre duas Cidades pela conquista das almas, como aquilo que verdadeiramente importa. A Revolução, de natureza essencialmente antirreligiosa, ergue-se como uma rebelião contra Deus, tendo por fim último a destruição da Igreja e a construção de sua negação. Quando essa chave de leitura se perde, o fio que orienta os acontecimentos se rompe: a história se obscurece e se torna um enigma. É à luz desse combate que se deve compreender o século XX. No plano espiritual, dois acontecimentos se impõem: as aparições de Fátima e o Concílio Vaticano II; no plano político, destaca-se a emergência de uma Nova Ordem Mundial.
O século XXI vê consolidar-se, portanto, uma espiritualidade global, promovida por organismos internacionais, e amplamente difundida no mundo contemporâneo. Esses elementos não estão isolados. Ao contrário, formam um conjunto coerente que exprime, em nosso tempo, a intensificação do conflito entre as duas Cidades.
Em A crucificação de São Pedro, Pascal Bernardin propõe uma leitura unificada desses acontecimentos, buscando revelar os vínculos profundos que os ligam, e apresenta-nos, assim, uma interpretação contundente da crise religiosa e cultural dos últimos cem anos, sugerindo que, por trás dos eventos históricos, desenrola-se um drama espiritual de proporções decisivas.