Este livro reconstrói a formação histórica de um grupo decisivo para entender o funcionamento real da democracia brasileira: o Centrão.
Longe de ser apenas uma coalizão política conjuntural, ele é a expressão contemporânea mais pura de uma elite política cuja origem remonta ao período da ditadura militar. Ao investigar suas origens e trajetória desde a arena e depois pds até sua ramificação nos pequenos municípios da Nova República, o livro mostra como a centralização do poder, a expansão do Estado e o bipartidarismo autoritário criaram as bases — formais e informais — de um comportamento político persistente: uma gramática política feita de adesismo, governismo, antipartidarismo e de uma cultura aideológica.
Ao longo de décadas, certos parlamentares aprenderam a operar a política a partir do Estado, desenvolvendo
carreiras assentadas no acesso contínuo a recursos, obras e serviços governamentais.
O resultado é a consolidação de um grupo que não depende de proximidade ideológica com o Executivo para agir. Depende de posições, cargos e da capacidade de intermediar demandas locais para manter uma extensa clientela eleitoral.
O Centrão não é apenas um bloco político amorfo: parlamentares que só buscam cargos, mudam de partido com facilidade e emprestam seu apoio a governos ora de esquerda, ora de direita. O Centrão é tudo isso, mas é, principalmente, o herdeiro de um arranjo histórico que moldou incentivos, carreiras e práticas parlamentares desde a ditadura dos generais até o presente. Essa “elite fisiológica” se tornou a peça estrutural do presidencialismo brasileiro.