Este estudo tem como objetivo investigar os paradoxos do estilo na formação de um psicanalista. Partindo de considerações sobre o amor e sua articulação com a moralidade, a transferência e o ideal do eu, responsáveis por instituir um modelo de analista, tais conceitos são tensionados à luz da angústia. Em seguida, são abordadas as noções de mímesis e estilo, permitindo um trajeto no campo das artes, no qual se mostram significantes artífices de uma nova possibilidade de ler a questão de como se forma um psicanalista. O método deste trabalho, afinado com os princípios da pesquisa em psicanálise, permite que a própria investigação se descubra como objeto em jogo, e os limites alcançados a cada etapa tornem-se paradoxos para um novo desenvolvimento. Nesse sentido, a perda para a entrada na linguagem é aproximada a certa perda do objetivo para a entrada no estudo, o que faz com que o rigor no trato com os significantes e a recusa de toda investigação metalinguística sejam pilares metodológicos. A pesquisa passa a ser tratada como tendo seu próprio desejo, desvinculado de uma autoria narcísica, no que tal desejo tenta se fazer captar nos paradoxos a que chega, recebendo o nome de desejo pesquisante, em paralelo ao desejo do analisante. Em vez de um progresso linear, este estudo assume a forma de um percurso que se reinventa, acolhendo os desvios como parte constitutiva dos paradoxos de seu próprio estilo. Ao final, é proposta uma superação dos dualismos amor/angústia e mímesis/estilo, reconhecendo uma ficcionalidade fundamental na formação de um analista a partir do semblante. Essa ficcionalidade, longe de opor-se à verdade, revela-se como o fundamento de sua emergência.