Iniciada com Mundos mortos, Os caminhos da vida, O lodo das ruas, O anjo de pedra, Os renegados, Os loucos, O Senhor do Mundo e O retrato da morte, a Tragédia burguesa é uma obra cíclica realizada em quinze volumes, nos quais, seguindo a tradição do romance ensaístico, Octavio de Faria apresenta um amplo painel da vida brasileira, em geral, e carioca, em particular. Tendo como pano de fundo o Rio de Janeiro, a Tragédia burguesa mostra um mundo congestionado pelas forças do vício e do pecado, lutando desesperadamente pela Salvação; visão essa que levou Nelson Rodrigues a declarar sua admiração pelo “poder de criação de Octavio de Faria, poder que é o maior do romance nacional”. Uma obra que vem a ser “a mais sofrida, ousada, ampla e profunda experiência no gênero a que o Brasil assistiu desde a morte de Machado de Assis”, segundo Afonso Arinos de Melo Franco, ou, nas palavras de Rachel de Queiroz, uma “obra sem par na nossa história literária, espero seja muito mais duradoura do que qualquer outro monumento em pedra ou bronze. Estamos realmente em contato com um romance, e com um grande romance”, pois Octavio de Faria dá a seus personagens “uma vida, uma atualidade, uma percussão, um duplo palco que intensifica extraordinariamente o significado intrínseco dos episódios”, como escreveu Tristão de Athayde. Com O retrato da morte, a Editora Sétimo Selo dá continuidade à reedição da Tragédia burguesa, obra clássica da literatura brasileira e de “um grande romancista, que com suas admiráveis forças criadoras, conseguirá entusiasmar todo leitor bem intencionado”, como escreveu Mário de Andrade.