Após um percurso criador de mais de vinte anos, eis que surge a primeira grande 'Antologia Poética - A. Oliveira Cruz'. O alcance e o valor de uma obra que o tempo tem vindo a consolidar afirmam-se naquilo que ela possui, não apenas de manifestamente inspirador, mas também de enleadoramente reflexivo. Podemo-nos perguntar: de que missão se investe hoje, a poesia enquanto expressão artística autónoma? Supomos que o grande esforço poético de A. Oliveira Cruz nos pode dar uma resposta. Trata-se de uma missão ancestral, cuja raiz se encontra num tempo em que a consciência da língua já havia permitido ao primeiro trovador assumir a vocação lírica como o gesto espontâneo de uma emergência espiritual. A pujança criadora e a força demiúrgica desta Poética - fonte inesgotável de água pura, ao mesmo tempo e sobretudo fonte de lava viva, incandescente e em permanente erupção - de tal forma é o seu caudal que atinge em poucos anos a meia centena de volumes, cuja recente publicação conjunta assume uma dimensão monumental, seja pela sua extensão, seja pela sua profundidade.A elaboração desta Antologia feita pelo próprio autor reveste-se uma importância peculiar, pois a sua sensibilidade permite uma maior acuidade não só na escolha mas sobretudo na significação profunda dessa escolha, a qual não é indiferente do acto poético enquanto acto criador. A heterodoxia das suas propostas permite-nos confirmar não apenas a intencionalidade humanística da sua obra, mas também o seu intuito e cunho universalista, na demanda da inominável Fronteira do absoluto.