Por que Antropogeografia e Filosofia A resposta aponta para a relação entre ontologia e geografia. Ou seja, no centro da reflexão está a longa tradição da ontologia na resposta acerca do ser do homem. Muitos recusam-se a tomar a ontologia em consideração, imaginando que com isso estejamos reforçando essências absolutas na definição do ser. Não é a posição que aqui defendemos. Há sempre um esforço constante de nos afastarmos do caminho da metafísica, mas sem nos distanciarmos das questões ontológicas. Diálogos a esse respeito são travados com as principais posições sobre o tema. Sem dúvida Heidegger é uma dessas posições, bem como Lukács, ou Sartre se inscrevem nesse debate. Entretanto, a importância da ontologia no debate que aqui se apresentamos não tem como fundamento a filiação estrita a nenhum desses autores. Ao dialogarmos com suas respectivas posições, retiramos elementos que consideramos fundamentais. Mas, há um ponto de convergência estrutural, entorno do qual constroem-se os argumentos aqui. Ao nos recursarmos radicalmente o caminho sugerido pela metafísica, encaramos a finitude e a recusa a essencialidades absolutas de todo tipo, o que nos remete transcendência do ser, e por onde passa a negação. Temos a partir daí relação entre ser e não-ser. Um assumir a dialética, e o sentido essencial de contradição, mas antes, porém, como se faz necessário à questão, assumir o que é o ser. E nada se fará aqui sem considerar a diferença ontológica, vale dizer a diferença entre ente e ser. Entretanto, é necessário observar que esse não é um trabalho estrito senso de filosofia. Há um relação apontada no título do trabalho. Ela se anima mediante a uma indagação: que medida a geografia é um fundamento essencial do ser do homem Ao longo das páginas se verá que a menção à geografia não se refere à ciência geográfica. Ou seja, antes de ser um discurso sistematizado, a geografia deve se mostrar como essencial na caracterização da realidade em que o homem é sujeito. Se o homem é sujeito histórico, isso só se realiza na medida que ele constrói geografia. De tal modo que há uma interdependência, duas faces de uma mesma realidade, não há história sem geografia, tanto quanto se dá o inverso, não há geografia sem história. Se nos ocupamos em entender o processo histórico, em nada pode ser diferente em relação a geografia, uma vez que também ela é um processo. (...)