Na primavera de 1860, o porto de Liverpool acompanha, intrigado, os preparativos de um brigue misterioso: o Forward, construído com reforços de aço para enfrentar os gelos, tripulado por marujos bem pagos que embarcam sem saber o destino e comandado por um capitão que ninguém conhece — só assina as cartas com as iniciais K. Z. e envia ordens à distância, tendo como imediato Richard Shandon. A bordo viaja até um estranho cão. Conforme o navio sobe pelo estreito de Davis e pela baía de Baffin, rumo ao Ártico, o enigma se desfaz: o verdadeiro capitão é John Hatteras, inglês fervoroso e obcecado por uma única ideia — ser o primeiro homem a pisar o Polo Norte e fincar ali a bandeira da Inglaterra, custe o que custar.
A partir daí, a narrativa se torna um pulso entre a vontade de ferro de Hatteras e a fúria da natureza polar. O Forward avança por mares cada vez mais hostis, luta contra os campos de gelo, enfrenta a escassez de carvão e é forçado a uma dura invernada, enquanto o frio, o medo e o cansaço vão minando a tripulação e alimentando a semente do motim. Entre expedições pelos gelos, encontros com vestígios de outros exploradores perdidos e perdas dolorosas, a obstinação do capitão empurra todos para além de qualquer prudência — até o desfecho brutal que encerra este primeiro volume, com os homens fiéis a Hatteras abandonados no coração das regiões polares e o navio entregue às chamas.