INDIGENAR E QUILOMBAR A UNIVERSIDADE é, antes de tudo, um convite à escuta e à transformação. Reunindo reflexões, relatos de experiência e pesquisas vinculadas ao Grupo Baquara, da Universidade Federal de Catalão, esta obra coloca no centro do debate as experiências, os saberes e as lutas de estudantes indígenas e quilombolas no ensino superior. Entre a comunidade e a universidade, entre o território e a cidade, entre a ancestralidade e os desafios do presente, os textos aqui reunidos interrogam os modos pelos quais a universidade produz, legitima e transmite conhecimentos. Mais do que garantir acesso e permanência, indigenar e quilombar a universidade implica deslocar suas estruturas, seus currículos, suas práticas pedagógicas e seus próprios critérios de produção do saber. As páginas deste livro percorrem diferentes caminhos: as trajetórias acadêmicas de estudantes indígenas e quilombolas; as memórias e experiências de pertencimento; os saberes ancestrais e as práticas espirituais Xakriabá; a interculturalidade na formação docente; as relações entre território, crise ecológica e a utopia guarani da “Terra sem Mal”; e os desafios contemporâneos à democracia. Em comum, esses textos afirmam a necessidade de romper com a hierarquização dos conhecimentos que, historicamente, colocou os povos originários e as comunidades quilombolas no lugar de objetos de pesquisa. Aqui, eles aparecem como “sujeitos de conhecimento, pesquisadores, autores e protagonistas de outras formas de compreender e habitar o mundo”. Assim, esta obra não oferece uma resposta definitiva sobre o que deve ser uma universidade intercultural. Ela abre caminhos, provoca perguntas e aposta em relações de mão dupla, nas quais diferentes saberes possam se encontrar sem que um deles precise ocupar o lugar de medida universal do outro. Indigenar e quilombar a universidade é, portanto, um movimento de descolonização do pensamento e das práticas acadêmicas. É reconhecer que há muitos modos de produzir conhecimento, muitas formas de aprender e inúmeras possibilidades de construir, coletivamente, uma universidade mais plural, territorializada e comprometida com a justiça social.