Públio VIRGÍLIO Marão (70 AEC – 19 AEC) foi um poeta romano do período augustano. Ele compôs três dos poemas mais famosos da literatura latina: as Bucólicas, as Geórgicas e a Eneida. A primeira obra é uma coletânea de poemas pastoris, chamada Bucólicas, escritas no tempo da sua juventude. Por volta de 37 AEC, o poeta começa a frequentar o círculo literário de Mecenas, época em que compõe a sua segunda grande obra, as Geórgicas, dedicada ao mundo agrário. Por fim, influenciado pelos ideais do “cesarismo” e por seus desdobramentos políticos desde a juventude, Virgílio compõe a Eneida, seu poema épico, que narra o mito de fundação de Roma, permanecendo até hoje entre as maiores obras da literatura mundial.
Nas Bucólicas, primeira grande obra de Virgílio, temos um conjunto de dez poemas com temática essencialmente pastoril. Personagens como Títiro, Melibeu, Córidon e Menalcas povoam esses versos, preenchendo-os com seus amores, rivalidades e, fundamentalmente, com o canto em meio a uma natureza estilizada. Como a estruturação desses poemas se divide em muitas camadas, não faltam reflexões metapoéticas sobre o próprio caráter do gênero bucólico — que remonta aos Idílios de Teócrito de Siracusa (séc. IV-III AEC) —, além de um diálogo constante com as condições sócio-históricas de Roma. Aspectos como as guerras civis, as tensões do final da república e a ascensão político-militar de Otaviano (o futuro imperador Augusto) também pontuam a obra. Ecoado desde a Antiguidade por sucessivos epígonos literários, o ambiente idealizado da “Arcádia” de Virgílio ajudou a forjar um modelo universal de felicidade na literatura do Ocidente.