Para escrever esta história radical da crise climática, Francisco Serratos recorreu aos momentos-chave da caminhada humana — ou melhor, de uma pequena parte dos seres humanos, a verdadeira causadora da tragédia ambiental em que estamos metidos — rumo ao colapso: a passagem do feudalismo para o capitalismo, a conquista da América, a expansão colonial europeia, o extermínio de povos indígenas e de meios de vida tradicionais ao redor do mundo e uma longa lista de episódios muitas vezes considerados grandes feitos da humanidade mas que deixaram um rastro indelével de destruição e morte. Obviamente, a invenção do motor à vapor, os combustíveis fósseis e a emissão de gases causadores do efeito estufa recebem atenção especial do autor. Contudo, sua análise vai muito além, abordando a exploração do látex nas florestas tropicais, a guerra pelo guano, a produção de algodão, o agronegócio, o mundo de plástico, o neoliberalismo e a indústria da carne. Episódios da história da Índia sob domínio britânico, sobretudo a grande fome que se abateu sobre o país no século XIX, matando milhões de pessoas, são citados como exemplos das formas que a crise pode assumir no século XXI. O livro encerra com esboços de um futuro possível, após breves análises sobre o regime ambiental soviético e chinês. Uma leitura acessível e essencial para compreender, de uma vez por todas, onde está o problema.