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Sinopse
Mas a cronologia oferece um tempero adicional. Tudo se passa no intervalo de 1969 a 1974. Serviço telefônico precário e ligações sujeitas a espera tormentosa. Serviço postal deficiente, mesmo para a capital do estado. Ainda não havia o CEP, código postal, que destravou o sistema de identificação dos logradouros públicos das cidades a partir de 1971. Essa dificuldade de comunicação fez nascer programas de rádio com horário fixo para transmissão de mensagens como:
– Atenção, D. Maroca. Seu filho Bernardo informa que o numerário foi liberado ontem.
Essa era a forma mais eficiente que as pessoas de cidades e comunidades ribeirinhas utilizavam para repassar mensagens como esta. A outra forma era mandar carta por um portador. Para isso, o remetente teria que se deslocar “até o campo”, referindo-se ao campo de aviação, aeroporto.
O seu Boa, como era conhecido, era apenas mais um amazônida debulhando soluções para os problemas da região: tinha que vencer “o muro alto, invisível, que separa o Brasil”, como defini certa vez. As dificuldades gestam soluções potenciais. E as soluções ganham vida: a Amazônia inventou a rede anônima de solidariedade entre os indivíduos para superar tais limitações. Há sempre uma alma disposta a levar uma encomenda ou apenas uma carta a um destinatário muitas vezes desconhecido, numa corrente de solidariedade como quem reconhece que, do outro lado, está o destinatário, um outro elo da corrente padecendo das mesmas limitações.
Mas não é só isso. Essas cartas postadas aos cuidados de fulano de tal, levam também um punhado de esperança ao distante, levam cheiros e sabores imprescindíveis, em particular aos paraenses. O seu Boa reuniu na sua correspondência essas coisas de que tratam os naturalmente doutos, com linguagem simples e direta de pai: “cuida do teu joelho”, preocupação; “não esquece de escrever para o teu irmão”, a busca de manter a união familiar; “olha pra frente, rapaz: economia e plano de vida”, o incentivo de pai e chamada à preservação de valores; quando o filho foi contratado pelo Paysandu e teve acesso à universidade, o orgulho inevitável e transbordante de pai parecia anunciar a conclusão de sua obra. O leitor precisa mergulhar fundo nesses textos para avaliar as pérolas de perto.
A certa altura, os textos denotam senso de urgência, como premonição. O alfaiate, artífice de batinas e ternos, apegado à sua fé inabalável, apaixonado por livros, futebol e pela vida, falece em 1974 e deixou sucessor. Cristovam, seu filho, volta às suas origens e funda o Instituto Cultural Boanerges Sena, com o objetivo de preservar aquelas virtudes singulares do pai, redivivas, hoje, no vasto espectro de atividades do ICBS: biblioteca robusta que atende a estudantes brasileiros e pesquisadores nacionais e internacionais, além da edição de publicações e livros de interesse cultural, memórias de Santarém na área social, artes e política.
Esta coletânea de Cartas de meu pai é um tesouro colossal e melhor, ainda, pela simplificação de conceitos que encerram as “mal traçadas linhas” rabiscadas pelo coração de um pai. Recomendado para pais e filhos." (Texto das orelhas do livro - Rosélio da Costa Silva,
jornalista e cronista santareno radicado em São Paulo)
Ficha Técnica
Especificações
| ISBN | 9786589841579 |
|---|---|
| Pré venda | Não |
| Organizador para link | SENA CRISTOVAM |
| Peso | 300g |
| Autor para link | SENA BOANERGES |
| Livro disponível - pronta entrega | Sim |
| Dimensões | 2 x 16 x 23 |
| Idioma | Português |
| Tipo item | Livro Nacional |
| Número de páginas | 152 |
| Número da edição | 1ª EDIÇÃO - 2026 |
| Código Interno | 1223462 |
| Código de barras | 9786589841579 |
| Acabamento | BROCHURA |
| Autor | SENA, BOANERGES |
| Editora | LETRA SELVAGEM |
| Sob encomenda | Não |
| Organizador | SENA, CRISTOVAM |
