Este livro apresenta como principal objetivo a análise e interpretação das cartas trocadas entre o pensador marxista Walter Benjamin e o estudioso do misticismo judaico Gershom Scholem, no período compreendido entre 1933 e 1940. Dentre os inúmeros temas tratados nestas correspondências, que vão da arte à guerra, do exílio à política, da literatura à melancolia, Enoque privilegia as temáticas que envolvem o fascismo e o antissemitismo. O leitor entrará em contato com uma obra de fôlego, com críticas perspicazes, na qual o pesquisador argumenta que tais correspondências, mescladas de memória e história, são reveladoras de uma época em que os nazistas empreendiam as primeiras ações de barbárie contra os judeus, como os aparatos de censura, e os mecanismos de perseguição, torturas e prisões. Dividido em três capítulos, os quais enfocam, desde a vida e a obra de Benjamin e Scholem, passando por um breve histórico do antissemitismo, bem como interpretações históricas e literárias do gênero epistolar, Enoque nos brinda, em seu livro, com uma análise profunda e rigorosa de um tema tão árido que, infelizmente, ainda teima em nos assombrar no mundo contemporâneo.