"Depois de terem evitado, durante quase um século e meio, a questão da possibilidade de a ciência dar, ou não, provas da existência de Deus, os físicos dos nossos dias voltam a levantá-la e a tomar essa ideia em consideração. Até agora têm-se mostrado bastante hesitantes em dar respostas definitivas, e a maioria considera a hipótese, se não desnecessária, pelo menos não científica. E, nisso, têm razão, pois não se trata, de todo, de uma hipótese científica, mas sim de uma questão metafísica, que deve ser tratada de forma metafísica, tendo cuidadosamente em conta todas as teorias científicas actuais. [...] Talvez um dos desenvolvimentos mais significativos da cosmologia física contemporânea seja a enunciação, feita pelos físicos, daquilo aque chamaram o Princípio Antrópico. Na minha anterior obra, Cosmos e Anthropos, critiquei a forma como os cientistas apresentaram a ideia, insistindo ao mesmo tempo na profunda importância filosófica deste Princípio. Procurei explicar este significado filosófico e as suas consequências. A presente obra visa continuar a examinar as implicações do Princípio e o seu envolvimento em consequências sociais, morais e religiosas. Tal como anteriormente, o conceito--chave é o da totalidade sistemática,com a escala dialéctica de formas específicas nas quais se revela. No meu estudo anterior procurei traçar esta escala até à noosfera, pré-requisito e condição para a observação e a investigação científica; mas descobri que tal era impossível em si,excepto no contexto de uma ordem social, como característica principal dessa mesma ordem.