Durante as décadas de 1920 e 1930, o regime de Mussolini procurou difundir a ideologia fascista pelo mundo. Para tanto, ele utilizou tanto os órgãos do Estado italiano (como a estrutura diplomática e as fundações e associações culturais, como a Dante Alighieri), como os do Partido Fascista, como os fasci all’estero. Seu público-alvo era tanto as imensas coletividades italianas fora da Itália, como os simpatizantes do fascismo espalhados pelo mundo, os quais incluíam os adeptos locais de partidos e movimentos fascistas, grupos irredentistas ou separatistas que podiam se tornar, potencialmente, clientes de Roma, governos e grupos como os católicos ou os conservadores em geral.
Para atingir públicos tão variados, o regime articulou diversas narrativas, as quais podiam se combinar e se articular conforme a região geográfica ou a audiência que se queria atingir: latinidade, italianidade, garibaldismo, anticomunismo, catolicismo e outras narrativas circulavam pelas redes fascistas no exterior com o mesmo objetivo: criar uma imagem internacional favorável da Itália e do fascismo, o que poderia trazer benefícios para as ambições geopolíticas do Estado italiano e ideológicas do Partido Fascista.
A América Latina foi um dos focos desse esforço e o presente livro procura apresentar a rede fascista construída pelo fascismo para atingir os italianos que residiam nesse continente e os próprios latino-americanos. Os objetivos, os esforços, as narrativas e os resultados desse projeto de dominação indireta, mas ainda sim imperialista, são os temas que permeiam os vários artigos que compõem esse livro. Como contraponto, são apresentadas igualmente algumas das redes criadas pelos antifascistas para se oporem e lutarem contra o fascismo no continente.