'Desastrada maquinaria do desejo', de Monica Fagundes, analisa a obra do argentino Julio Cortázar, passados 25 anos da morte do autor. O estudo foca em um dos seus livros mais originais, a 'Prosa do Observatório'. Faz uma defesa da importância da leitura deste livro de vanguarda, analisando o texto e as fotografias do autor no observatório de Jaipur, na Índia. Julio Cortázar constrói a alegoria de uma máquina do mundo em que se alia estética e teoria, mito e história, num texto híbrido e revolucionário, o que será, provavelmente, a essência da sua literatura: a utopia da uma reordenação do real na sua transfiguração em imagem. Em sua análise, Mônica agrega o valor do erótico, da imagética, do infinito e da imensidão ao projeto de Cortázar. Busca suas leituras: Battaille, Duchamp, entre outros, relê suas outras obras, seus contos, romances como 'O Jogo da Amarelinha', para entender melhor esta obra tão intrigante. O resultado não poderia ser diferente de um ensaio poético, numa linguagem tão vigorosa quanto a do objeto de estudo ? o que desde o início a estrutura dos capítulos denuncia. A obra é apresentada pelo professor Ary Pimentel, da UFRJ.