A existência social do povo negro é fonte teológica legítima, em coerência com a territorialidade e a corporalidade do chão histórico da bíblia e de Jesus de Nazaré. A partir desta lente, Cone avalia a própria história e tradição teológica do Cristianismo. Não se trata de descartar tal Tradição, mas sempre de submetê-la ao interesse de libertação dos oprimidos, pois tal libertação é nada mais e nada menos do que a vontade manifesta de Deus. Se uma produção teológica nada tem a dizer sobre a emancipação dos pobres e a libertação concreta de todas as formas de opressão, então ela nada tem a dizer sobre o Deus da Bíblia.
Henrique Vieira (trecho extraído da apresentação)
Com esse livro, James Cone nos prepara para o enfrentamento dos falsos profetas, dos ideólogos do caos capitalista, dos mercadores da fé e dos fiadores do racismo que inundam as redes de televisão e púlpitos do mundo todo. Deus dos oprimidos é um libelo pela libertação e deixa evidente que não há outra opção para um cristão que não seja estar ao lado de Cristo. E estar ao lado de Cristo, segundo a teologia negra, é estar ao lado dos pobres, dos oprimidos, dos "condenados da terra", não
para contemplar o sofrimento, mas para a luta.
Silvio Almeida (trecho extraído do prefácio)