Martins desnaturaliza critérios expressivistas de interpretação da elegia erótica de Propércio correntes na Universidade. Eles são indiferentes à historicidade de preceitos técnicos de sua invenção como ficção poética. Afirma que a indiferença é uma prática etnocêntrica. Universaliza o modo moderno de definir poesia como literatura e imagina que as paixões romanas dos poemas são sustos contemporâneos que, impressos, expressam a subjetividade do autor. A especificação retórica do gênero 'elegia erótica' faz os poemas aparecerem como formalidade prática irredutível às intenções psicológicas dos intérpretes atribuídas a Propércio. Como gênero poético, a elegia erótica romana é inventada como enunciação fictícia do ego. É o 'eu' não-substancial de um tipo poético que imita discursos gregos e alexandrinos enquanto recompõea dicção que especifica a adequação de seu estilo aos lugares-comuns que o gênero prescreve para inventar a voz de seu éthos, caráter, movido por páthe, afetos.