Nazaré das Farinhas é uma cidadezinha do Recôncavo baiano onde o tempo parece parado, até que Juca Ferrabrás, roceiro simplório alçado a prefeito-fantoche por forças vindas de muito longe, passa a governá-la por decretos, prometendo liberdades enquanto fabrica a obediência.
Em torno dele orbita uma galeria de tipos: um espião russo, um jornalista venal que negocia verdades, um bacharel charlatão, um poeta delirante que sonha redimir a terra pela palavra, bêbados profanadores, bispos revolucionários e beatos conservadores. No outro polo, uma velha enigmática, Inhazinha de Calcutá, arrebanha os humildes ao reviver a Santidade, religião proscrita do século XVI, enquanto um padre solitário se pergunta se a fé ainda exige luta.
Quando a alma da cidade parece condenada, é esse mesmo sacerdote quem lança um grupo improvável numa missão que beira o disparate: cruzar o país atrás dos fragmentos perdidos de uma imagem sagrada, símbolo fundador de uma nação, memória que muitos julgavam extinta.
Entre a farsa e a profecia, o cômico e o elegíaco, eis um romance sobre o que se perde quando um povo esquece quem é — e sobre o que, contra toda razão, ainda insiste em ser salvo.