Nas primeiras décadas do segundo milénio, muitas pessoas estão a experimentar um isolamento que talvez tenha alguma semelhança insondável com o isolamento a que os monges do deserto se submeteram voluntariamente há dois milénios: exercícios diferentes, terapias diferentes, mas a mesma fragilidade humana perante a imensidão do universo, a violência dos poderosos e a incerteza ilimitada do futuro. Este livro é composto por uma série de mini-ensaios habitados por um impulso persistente de auto-questionamento, de aprendizagem e de desaprendizagem. São convites a pensar. Abordam problemas que não consigo resolver senão formulando-os de diferentes ângulos. Tal como as fotografias policiais, são retratos tirados de vários ângulos: o perfil, a frente e o verso. Longe de serem problemas estritamente pessoais, são os problemas da época, que cada um vive de forma diferente. São temas que se organizam em mosaico, em mosaicos de diferentes tamanhos e formas que se entrelaçam em muitos desenhos possíveis. Os mini-ensaios deste livro são ensaios no sentido original da palavra, ou seja, tentativas, exercícios, experiências. Nuns há entusiasmo, noutros reserva; uns têm mais certezas, outros, mais dúvidas; nuns há mais medo, noutros, mais esperança. Embora nem sempre haja paixão, nunca há indiferença. Gostaria que quem os lesse me encontrasse como académico e como cidadão. Como dizia Pascal, não me procuraríeis, se não me tivésseis já encontrado.