O fio condutor desta coletânea é a tendência à dependência estrutural das economias periféricas decorrente da exploração de petróleo e gás natural. Trata-se de uma atividade altamente concentradora de capital, integrada a redes globais de valor, grandes contratos e elevados retornos financeiros, além de mobilizar um mercado de trabalho de alta qualificação e remuneração. Seus impactos sobre os territórios produtores revelam uma verdadeira face de Jano. De um lado, a exploração impulsiona economias regionais e nacionais por meio da expansão da renda, do aumento da arrecadação estatal e da dinamização de atividades econômicas. Ainda que permeado pelas contradições do desenvolvimento desigual, esse processo costuma ser associado ao chamado "desenvolvimento econômico". Transformações territoriais profundas acompanham esse movimento, com a aceleração da urbanização, a modernização da infraestrutura, mudanças no perfil demográfico e a ampliação da oferta de serviços. Por outro lado, os passivos sociais, econômicos e ambientais podem alcançar proporções igualmente significativas, sobretudo nas economias periféricas. Quando o ciclo de expansão se encerra, seus custos tendem a persistir. Paradoxalmente, a mesma capacidade de impulsionar o crescimento pode produzir especialização produtiva, aprofundar relações de dependência e fragilizar economias inteiras. Esse paradoxo, amplamente discutido na literatura especializada sob as denominações de "doença holandesa" e "maldição dos recursos naturais", constitui o eixo analítico que articula os estudos reunidos nesse volume.