Em uma sociedade marcada pela colonialidade do poder e do saber, a escola pública torna-se um espaço de disputa, podendo reproduzir hierarquias históricas ou abrir caminhos para sua transformação. Nesse contexto, Escola, terra e decolonização: Pedagogia do MST e disputa epistemológica no Brasil propõe uma reflexão necessária sobre os sentidos da educação pública e as disputas que atravessam a produção do conhecimento no Brasil. Ao investigar as práticas pedagógicas desenvolvidas em escolas de assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a obra apresenta experiências formativas que articulam território, trabalho, memória e organização coletiva, deslocando concepções sobre o currículo tradicional e ampliando as fronteiras do que se reconhece como conhecimento legítimo. Longe de situar essas práticas à margem, o livro as insere no interior das disputas que atravessam a escola pública brasileira, revelando seu potencial de tensionar hierarquias epistemológicas e questionar a centralidade de referenciais eurocêntricos. Em diálogo com a tradição crítica e com o pensamento decolonial latino-americano, a autora articula teoria e pesquisa empírica para compreender os limites e as possibilidades da decolonização do saber. Mais do que uma análise, esta obra é um convite a pensar a educação como prática viva, atravessada por conflitos, memórias e projetos de futuro, bem como a reconhecer, na escola, um território de luta, criação e transformação. Destinado a pesquisadoras e pesquisadores, professoras e professores da educação básica e superior e estudantes interessados nas relações entre educação, território e política, este livro contribui para o aprofundamento do debate sobre a escola pública como espaço de produção de conhecimento, de disputa epistemológica e de construção de horizontes democráticos no Brasil contemporâneo.