Este livro tem como objeto de estudo o movimento Escola sem Partido. Sob uma perspectiva teórico-analítica, o objetivo foi compreender e problematizar não só a emergência, mas, fundamentalmente, a atuação sociopolítica do movimento e sua implicação no campo educacional da sociedade brasileira. Tendo como hipótese que o Escola sem Partido se constitui num movimento de contrarrevolução preventiva que tenciona interditar um processo educacional científico-humanista que promova uma vigorosa formação cultural de sujeitos críticos para uma prática social transformadora da realidade, esta obra foi desenvolvida com o aporte teórico e empírico da produção sociológica de Florestan Fernandes e Octavio Ianni. Mas não só. No decurso deste trabalho, foram mobilizadas categorias como Revolução Passiva, Estado Integral, Hegemonia, Grande Política, Pequena Política, entre outras, do pensador italiano marxista Antonio Gramsci, com o intuito de captar os sentidos e os nexos profundos das múltiplas determinações que, direta e/ou indiretamente, configuram a práxis ideológica e política desse recente movimento na historicidade do capitalismo brasileiro. Portanto, com base no materialismo histórico-dialético marxiano/engelsiano, que permite apreender o fenômeno social Escola sem Partido para além de sua aparência imediata, ou seja, em sua concreticidade ou essência, esta investigação foi realizada em diálogo crítico-reflexivo com um amplo escopo documental e bibliográfico, a fim de sustentar a conclusão de que esse movimento, agindo de maneira preventiva e contrarrevolucionária nas esferas civil e política, atualiza, no presente, mecanismos de dominação de classe do passado.