O espantoso nisso tudo é a Lua na minha terra às vezes nascer tão cheia e laranja, que ilumina tudo e faz os galos e pássaros cantarem, pensando que é o Sol nascendo.
É o fato de todos os ipês do país florescerem ao mesmo tempo, sem que ninguém tenha acionado botão algum.
Espantoso é o amor que o cachorro demonstra cada vez que o cafajeste, ladrão ou assassino volta para casa.
Muito de se espantar o sumiço dos besouros, vagalumes, quebra queixos e Chevettes. Em compensação, ainda ouvir, raramente, mas ouvir, a gaitinha do amolador de facas.
Que milhares de anos de humanidade não tenham produzido uma cura eficaz para o soluço. É absolutamente espantoso que as jacas que despencam do alto das árvores tenham causado tão poucas mortes.
Espantoso nunca foi assustar alguém.
É mais o leite resultar em gorgonzola.
A pressa do catavento.
Espantosa é a variedade de espirros.
O poder de transportação de certo perfume. A efervescência tão breve da espuma quando a onda quebra.
Mas o mais espantoso nisso tudo é que duas pessoas se olhem, tremam de susto, se percam, se entreguem e decidam juntar as vidas. O amor é muito espantoso.