A passagem do século XIX para o século XX é um período memorado na historiografia brasileira por profundas transformações, sobretudo as políticas e educacionais. Neste cenário, urgem as noções de pátria e civilidade, que se desenvolvem, de forma contundente, através da escola, por meio da inculcação de valores morais, religiosos e, em especial, pela valoração dos símbolos pátrios. Assim, os intelectuais oitocentistas são convidados a uma “missão patriótica”: escrever livros para uso escolar. Dentre esses intelectuais, figura Francisca Júlia da Silva, uma das mais prestigiadas poetisas de seu tempo. Partindo da estética parnasiana, assina quatro obras, das quais duas constituem livros escolares. O primeiro deles, Livro da Infância (1899), foi vulgarizado nas escolas primárias. Já Alma Infantil, publicado em 1912 em parceria com o irmão Júlio César, é “uma coleção de monólogos, diálogos, recitativos, comédias escolares, hinos e brincos infantis” (p. 8) que, em conformidade com as exigências da comissão de livros escolares vigente à época, foi adotado nas escolas primárias como livro de leitura suplementar. Composto por 48 poemas e quatro hinos, Alma Infantil recebe destaque na historiografia do livro escolar no Brasil por seu alto teor moralizante, instrutivo e patriótico, fazendo coro ao projeto de nação que conformava o país nas primeiras décadas do século passado.