A primeira vez que vi um Chagall, que vi uma tela de Marc Chagall, foi no ano de 2009, eu já com 46 anos, professora na Universidade Federal Fluminense. Não se deve espantar, pois no Brasil as conhecidas exposições para as “massas”, tão duramente criticadas, deram acesso amplo a obras de artistas europeus, a partir da década de 1980. O Centro Cultural Banco do Brasil organizou uma mostra intitulada Virada Russa – a Vanguarda na Coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, com 120 obras de diversos artistas, principalmente Malevitch, de quem foram expostos a trilogia Quadrado Preto, Cruz Preta e Círculo Preto[1]. Pude ver, além das pinturas, os costumes de Malevitch para a peça Vitória sobre o sol, dentre outras obras. A tela de Chagall de que me recordo mais fortemente foi The Promenade, ou O Passeio, de 1917-18, em que retrata a si e sua amada Bella em uma cena de passeio em Vitebsk. Casario verde, sinagoga cor-de-rosa, Chagall de preto e Bella de vestido e sapatos cor-de-rosa, que sem gravidade está de ponta-cabeça segura pela mão esquerda de seu amado, que na direita segura um pássaro.