Na ninhada, todos aprendem a cantar, nadar, voar... Menos ele. E as diversas soluções que o pequeno pássaro inventa para contornar suas limitações sempre acabam dando errado. No final, ele não consegue acompanhar os irmãos e fica para trás. Sozinho, pergunta-se sobre a razão de ser incapaz de fazer o que todos fazem... Até que um encontro inesperado com um grupo de flores perdidas revela seus verdadeiros dons - a generosidade, a doação, a entrega ao outro -, ainda que para isso tenha de se transformar por inteiro. Isso eu posso fazer põe a criança em contato com temas considerados difíceis, como vida, morte e exclusão. Mas os alinhava com graça e poesia, combinando cenas divertidas com metáforas de solidão e desapego, que deixam o caminho aberto para o leitor interpretar os sentidos da narrativa de acordo com suas possibilidades de compreensão. A autora e ilustradora Satoe Tone subverte, com humor e delicadeza, a metáfora do Patinho feio apostando num tipo de transformação em que o plano coletivo supera o individual: em vez de se tornar um belo cisne que finalmente encontra seus pares, identificando-se com eles, o pássaro radicaliza a diferença, acolhendo generosamente o outro ao se deixar transformar num jardim para que a vida de outras espécies nele floresça. Com uma paleta de cores deslumbrante e traços delicados, as ilustrações não só encantam o olhar, mas exprimem emoções e dão chaves interpretativas, suscitando empatia imediata pelo protagonista e expandindo sentidos da história.