Este volume reúne os artigos que Olavo de Carvalho publicou em jornais e revistas entre os anos de 2007 e 2013. E o desprezo que se tem no Brasil pela cultura superior, apontado tantas e tantas vezes pelo filósofo como tendência a ser urgentemente expulsa da alma do brasileiro, ainda não o foi. Os escândalos sem-fim da política nacional, demonstram-no de modo exemplar, já que esta não faz senão ecoar em escala pública — deliberada ou inadvertidamente — o que dizem, ou pensam, os indivíduos em privado, nas universidades, ou na solidão do espírito consigo mesmos.
Hoje, como nos anos em que foram publicados — talvez mais hoje do que antes —, a personagem que bem representa o brasileiro médio em matéria de cultura, segundo Olavo, é o doutor Segadas, de Triste fim de Policarpo Quaresma, que dá título à presente obra, e, indignado ao ver as estantes do vizinho carregadas de livros, exclama: “Se não era formado, para quê? Pedantismo!”.
“Qualquer que seja o caso”, prossegue o filósofo, “o excesso de leituras pode ser perdoado em vida, mas sempre restará uma nódoa póstuma. [...] Neste país é proibido escrever sobre os grandes homens com respeito genuíno e admiração humilde. Um ar de superioridade, pelo menos de intimidade desrespeitosa, é absolutamente necessário à boa auto-imagem do crítico, bem como à sua reputação”.