Tendência literária que veio a conhecer-se pelo nome de regionalismo integra-se na virada romântica em direção ao particular e concreto, concebida como resposta moderna às pretensões universalistas da tradição clássica. No Brasil, a regra se observou, e assim uma vertente regionalista na produção literária prontamente se delineou no âmbito do movimento romântico, projetando-se em diversas realizações posteriores que alcançariam o século XXI. A partir de dado momento, contudo, os estudos literários passaram a evitar a classificação como regionalistas de obras e autores criticamente valorizados, no pressuposto de que o termo, por seu conteúdo semântico, à medida que exaltaria o particular em detrimento do universal, implicaria incontornável depreciação dos objetos a que viesse a aplicar-se. Essa curiosa transformação em veículo de juízo negativo de um termo em princípio meramente descritivo - quando não investido de conotações positivas -, justifica, entre outros fatores, um retorno reflexivo ao conceito. É o que se propões o presente volume, que reúne estudos diversos sobre a questão do regionalismo na literatura brasileira, desenvolvidos a partit de múltiplas orientações metodológicas e teóricas.