Escrito por Ramón Llull no século XIII, o "Livro da Ordem de Cavalaria" apresenta-se como um tratado essencial para a sistematização da ética e das responsabilidades da classe militar medieval. A obra utiliza uma moldura narrativa na qual um jovem escudeiro, a caminho da corte para ser armado cavaleiro, encontra um sábio eremita que já pertenceu à ordem. Ao notar que o jovem desconhece as obrigações morais do cargo que pretende assumir, o eremita entrega-lhe este manual, que detalha como a cavalaria foi instituída para restaurar a justiça, a lealdade e a verdade em um mundo onde a caridade havia declinado.O texto organiza-se em sete partes fundamentais, em analogia aos sete planetas, abordando desde a origem mística da ordem até os aspectos práticos e simbólicos do ofício. Llull defende que a cavalaria não deve ser exercida apenas pela força, mas sim pela virtude e pela sabedoria, exigindo que o aspirante passe por um rigoroso exame de caráter e intenções. Um dos pontos centrais da obra é a atribuição de significados espirituais a cada peça do equipamento do cavaleiro, transformando elementos como a espada, o escudo e o cavalo em representações de conceitos como a justiça, a fé e a nobreza de espírito.Ao final, o livro propõe que a cavalaria seja encarada como uma ciência que exige estudo e dedicação, comparável às carreiras clericais ou jurídicas. A obra encerra-se discutindo a importância dos bons costumes e da honra, reforçando que o papel primordial do cavaleiro é servir de exemplo para o povo, protegendo os fracos e mantendo a ordem social através do temor a Deus e da retidão moral. Além do tratado principal, o volume inclui provérbios e reflexões adicionais sobre a conduta de príncipes e a função da contemplação, consolidando um guia completo para a formação de um caráter nobre.