Professora de História de um colégio particular em São Paulo, Marga vive à base de ansiolíticos e está a ponto de explodir. Dentro de casa, a mãe, Alva, uma antropóloga aposentada que participou da luta armada contra a ditadura militar, manifesta sintomas cada vez mais agressivos do Alzheimer. No trabalho, Marga está sem paciência com alunos e patrões. Nesse contexto, o conflito com um aluno conduz Marga a uma série de desventuras que culmina em um crime cometido dentro do colégio. Do episódio surgem traumas, memórias são reativadas e dúvidas emergem sobre a vida de Alva e também sobre o pai, que Marga nunca conheceu. Quando passado e presente se confundem numa história de dor, Marga se empenha na luta pela verdade e pela justiça.
"Livros como Marga, dentro da complexidade de temas que relaciona, aguça no leitor duas reflexões importantíssimas. A primeira, a que qualquer pessoa pode constatar nos dias de hoje: a urgente necessidade de uma formação humanista sólida para nossos jovens que leve em conta que a verdadeira vocação humana é “ser”, e não “ter”. Tal equívoco acaba constituindo infeliz distorção dessa vocação básica, sua desumanização, num processo de mera domesticação como observou Paulo Freire. Segunda reflexão: ao compor sua trama ficcional com elementos de nossa História recente, incluindo a feroz ditadura que dominou o país por mais de 20 anos, com efeitos nefastos que perduram sobre a população brasileira até hoje, o autor, Arnaldo Pagano, que é também jornalista e portanto sabe muito bem o que está fazendo, dissemina um alerta precioso quanto aos discursos tendentes a invocar a volta de militares ao poder como até recentemente nos fizeram acreditar que seria oportuno."
Krishnamurti Góes dos Anjos
Escritor e crítico literário