A pergunta inicial que me faço neste prólogo é a seguinte: por que publicar este livro “in memoriam” do meu irmão João? A divulgação desse conteúdo se justifica, em primeiro lugar, porque o tema de sua dissertação de mestrado, elaborada no curso de história da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob orientação do Professor Daniel Araão Reis, se desenvolveu em plena conjuntura da ditadura militar, e tratou da importância do restaurante do Calabouço, onde, em 28 de março de 1968, o jovem estudante secundarista pobre Edson Luís Lima Santos, de 18 anos, foi assassinado por policiais militares que invadiram o referido restaurante, durante uma manifestação estudantil de protesto contra o alto preço da comida. Em decorrência dessa tragédia ocorreu a passeata dos 100 mil, e em dezembro de 1968, o então presidente Costa e Silva decretou o Ato Institucional nº 5, dando início aos tempos que ficaram conhecidos como “anos de chumbo”.
Por outro lado, no atual momento da conjuntura política brasileira, no âmbito do governo democrático do Presidente Lula, alguns fatos trágicos ocorridos no período ditatorial têm vindo à tona, a exemplo do filme que recentemente ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2025, “Ainda estou aqui”, dirigido por Walter Salles, que denuncia a tortura de pessoas e sua eliminação sem vestígios, baseado no livro escrito por Marcelo Rubens Paiva. Na esteira do filme, cabe a divulgação da história do restaurante Calabouço e seu significado, associado à análise da luta de classes, elaborada por
João Moura Dias, bem como o depoimento de seus amigos e amigas, dentre os quais alguns vivenciaram os horrores da perseguição e/ou prisão por parte da ditadura militar.