Um livro sobre memória e sobre aquilo e aqueles que insistem em permanecer vivos e juntos conosco, mesmo depois das violências, dos apagamentos e das ausências. A literatura de Maria Vilani volta-se para a memória, para as mulheres e para as cicatrizes sociais em Memórias de Maria e um pouquinho de mim, lançado pela Global Editora. Em uma narrativa que atravessa diário, romance e autoficção, a autora constrói um mosaico de vozes femininas que transformam dor, deslocamento e silêncio em linguagem de resistência. Ambientada entre o Ceará e o bairro do Grajaú, na periferia de São Paulo, a obra acompanha as múltiplas “Marias” que habitam a memória da narradora – mulheres marcadas por abandono, racismo, violência simbólica e desigualdade, mas também pela capacidade de reconstruir a própria existência. Entre lembranças fragmentadas e confissões íntimas, o livro propõe um pacto coletivo pela liberdade e pela escuta. A escrita de Maria Vilani assume um fluxo livre, emocional e profundamente humano. “Contar, simplesmente contar”, afirma a narradora logo nas primeiras páginas, anunciando uma literatura que privilegia a experiência vivida. Nesse movimento, a autora aproxima oralidade, memória e poesia cotidiana, fazendo da palavra um espaço de acolhimento e denúncia. O livro revela experiências compartilhadas por inúmeras mulheres brasileiras, especialmente negras e periféricas. Expõe feridas sociais históricas enquanto ilumina gestos de afeto, solidariedade e sobrevivência. Há dureza nas páginas, mas também delicadeza: a narrativa encontra beleza nas lembranças, na música, na espiritualidade e nos vínculos construídos em comunidade. A nova edição reafirma a potência literária de Maria Vilani e amplia o alcance de uma obra que dialoga com tradições da literatura memorialística e da escrita de resistência no Brasil. Com sensibilidade social e forte carga poética, Memórias de Maria e um pouquinho de mim convida o leitor a atravessar lembranças que não pertencem apenas a uma personagem, mas a toda uma coletividade.