Quatro críticos musicais, quatro ritmos, quatro personagens. Uma sinfonia em que entram o rock, o jazz, o samba, a MPB. A reunião de textos de quatro críticos que flagraram a música brasileira em seu momento fundador e seu poder de fogo: Ezequiel Neves, Júlio Medaglia, Sérgio Cabral e Zuza Homem de Mello. O resgate de textos publicados em veículos tão diversos quanto O Pasquim, Jornal de Música, Jornal do Brasil, Revista Moda, O Globo, Tribuna da Imprensa, Folha da Noite, Jornal da Tarde e Correio da Manhã. Trazendo a voz do negro e do pobre, do jazz e do erudito, que se encontravam no sonho utópico do novo som dos jovens universitários. Para ficar apenas em um exemplo, escreve Ezequiel Neves, em sua coluna na revista Rolling Stone de 03/10/1972: “Paulinho da Viola sai da toca com um negócio louco, A dança da solidão. (...) A fidelidade de Paulinho a tudo que o cerca, sua puríssima brasilidade, me deixa emocionado pacas”. E Ezequiel adiante, na mesma coluna: “Os brutos também amam (!!), de Agnaldo Timóteo, inaugura um gênero que a gente podia chamar de ‘cafonália cósmica’. A hecatombe começa pela capa de Joselito, um retrato de Timóteo com cara de dez anos de idade. Atrás dele estão dois leões – deve ser para fazer um clima ‘selvagem’”. Quatro críticos musicais, quatro personagens. Tudo sob a organização (e a apresentação de cada um deles em perfis) do jornalista Miguel De Almeida, “o criador e articulador deste panorama poliédrico da MPB”, como escreve a saudosa escritora e crítica literária (falecida em março deste ano de 2025) Heloisa Teixeira, nas orelhas do livro.