O livro que o leitor tem em mãos é resultado de um esforço coletivo de pesquisadores do fenômeno urbano e ambiental que lançaram diferentes olhares de como esses fenômenos têm se manifestado na produção do espaço da cidade de Formosa-GO. Intelectuais e estudiosos brasileiros e de outros países, têm alertado para a crise urbana e ambiental que atravessa nosso tempo, para os graves problemas relacionados a um modo de vida e a um modelo de desenvolvimento altamente destrutivo e desagregador da vida cotidiana, antes disruptivo apenas nas grandes cidades e metrópoles, agora estilhaçado, alcança também cidades de médio porte. A urbanização “caótica” induzida pela produção capitalista do espaço promove a valorização da terra urbana e impõe as formas dos distintos usos do solo, e, assim, define o lugar que os indivíduos vão ocupar na cidade. Capturado pelo avanço das relações capitalistas de produção, o Cerrado Goiano contém elementos basilares das crises socioambientais contemporâneas marcadas pelos impactos da exploração da natureza para produção de commodities no campo e na cidade, integrando economias locais aos circuitos nacionais e internacionais de troca e ressignificam a forma-conteúdo do urbano a partir de profundas desigualdades que esgarçam o tecido social. A área urbana de Formosa resulta do “caos planejado” gestado a partir de relações interescalares do global ao local, do grande capital, dos agentes públicos e privados, alcançando a capilaridade social e produzindo um certo ethos, um modo de ser, um comportamento que indica um certo desprezo pelo bem comum, pelo espaço público, pelo zelo e cuidado com o ambiente construído.