Em 'New Thing', Wu Ming 1 traz um relato intenso e vibrante dos turbulentos anos 60 a partir de um conjunto brilhantemente arquitetado de depoimentos à primeira vista exóticos e desconexos - misturando jazz, cultura negra, política e violência. Seguindo a linha da chamada narrativa coral (consagrada no cinema por Robert Altman e seu Nashville) e na história oral de livros como o já clássico 'Mate-me Por Favor', de Legs McNeil, o autor cria uma verdadeira multidão de narradores-personagens, cujas histórias se encontram e se entrelaçam em uma nova e surpreendente maneira de fazer literatura. Um ano antes do explosivo 1968, o establishment norte-amerciano já está de pernas para o ar. Ao mesmo tempo em que Martin Luther King lidera os protestos contra a guerra no Vietnã, Stokely Carmichael dissemina por toda parte a filosofia Black Power. Em Newark e Detroit, conflitos de rua deflagrados por questões raciais deixam dezenas de mortos e milhares de feridos. Na música, o título de um célebreálbum de Ornette Coleman passa a batizar um novo gênero musical: o free jazz. Já no Brooklyn, em Nova York, o assunto que mobiliza a comunidade local é uma misteriosa série de assassinatos. Em poucos meses, são mortos alguns dos mais ilustres representantes da vanguarda jazzística da cidade. Para a população em geral e para o aguerrido jornal Brooklynite, não há dúvidas: trata-se de crimes motivados por ódio racial. Já para a polícia, os homicídios não possuem relação entre si, muito menos com um suposto serial killer racista. Wu Ming 1 é um dos fundadores do coletivo Wu Ming ("sem nome", em mandarim), grupo de escritores italianos egressos do Projeto Luther Blissett, uma bem-sucedida rede internacional de sabotagem midiática e guerrilha cultural.