Vivemos tempos em que a chamada “crise climática” se tornou um dos grandes desafios no debate contemporâneo. Este livro nos convida a olhar para além do convencional e a reconhecer aquilo que frequentemente se oculta: o que está em colapso não é só o clima, mas o próprio modelo hegemônico de sociedade. A emergência socioclimática que enfrentamos é a expressão de uma crise civilizatória produzida por um sistema que transforma a vida em mercadoria, concentra riqueza, aprofunda desigualdades, precariza existências e impõe ao planeta um ritmo de exploração incompatível com a continuidade da vida dos humanos e dos demais seres. Este livro propõe um deslocamento radical de perspectiva: o aquecimento global é principalmente resultado do “aquecimento” de uma economia fundada na lógica ilimitada da acumulação, na monocultura do pensamento e nas commodities, na subordinação de povos, territórios e saberes, e na destruição sistemática da diversidade que sustenta a vida no planeta. É nesse horizonte que emerge a ideia de biocivilização e que este livro se propõe a discutir como uma busca necessária para enfrentar esta “crise climática”. Trata-se da construção de um novo processo civilizatório que recoloca a vida no centro das discussões e propostas, e reconhece a potência dos conhecimentos, das territorialidades e das formas de existir que questionam a ordem mundial que subjuga “sociedades e naturezas” em nome do “progresso”. Este livro busca esperanças para a vida! Mais do que interpretar o presente, procuramos desafiar o leitor a imaginar, e ter elementos para construir futuros em que a vida, em toda a sua diversidade (os bem-viveres), possa ser o princípio orientador de nossa existência coletiva.