Julien tem doze anos, é órfão e vive de favor na fazenda dos Bonard, onde cuida do bando de perus. Quando as aves começam a sumir uma a uma, a culpa cai sempre sobre ele — e ele apanha, perde o jantar e engole a injustiça calado, porque sabe quem é o verdadeiro responsável e não quer entregar Frederic, o filho da casa. Frederic tem dezessete anos e uma fraqueza só: não sabe dizer não a Alcide Bourel, o filho do dono do café, que tem sempre um bom argumento para cada coisa errada. No meio dessa história entra o Sr. Georgey, um inglês riquíssimo, atrapalhado e de bom coração, que fala um português desastrado, come perus assados aos pares e resolve, por conta própria, mudar o destino do menino que o tratou com honestidade.
O que começa com dois perus roubados vai crescendo até virar um arrombamento, uma prisão, uma doença grave e um alistamento no exército — porque Frederic, cada vez que cede, descobre tarde demais que já não consegue voltar atrás. E quando ele finalmente parece livre, longe de casa e respeitado pelos superiores, Alcide reaparece na mesma caserna, com o mesmo sorriso e as mesmas boas razões. Publicado em 1867 pela Condessa de Ségur, O Mau Conselheiro é um romance sobre a diferença entre errar e ser conduzido ao erro, e sobre o quanto vale, no fim das contas, a companhia que a gente escolhe.