Espera-me, pois, a eternidade…Qual eternidade?
O homem moderno acumulou ciência, conforto e distrações e, ainda assim, no silêncio das noites insones, a mesma inquietação retorna: o que há do outro lado? Tudo se apaga com o último suspiro, ou a alma sobrevive e responde pelo que viveu? Não se trata de curiosidade ociosa. Se existe uma eternidade, nada do que fazemos aqui é indiferente.
Escrito em 1942 pelo franciscano Pe. José da Assunção Rolim, neste livro conversam dois homens que encarnam duas visões irreconciliáveis do destino humano. De um lado, Panfílio, homem de seu tempo, cético e materialista, e do outro, Dr. Pancrácio, que acolhe cada uma de suas objeções com sabedoria e conhecimento sem jamais fugir delas. “O inferno é uma invenção dos padres”, “Nunca ninguém de lá voltou.”. Uma a uma, as frases que atravessam conversas de ontem e de hoje são postas à prova diante da razão, da filosofia e do testemunho cristão. O leitor católico encontrará aqui os fundamentos de sua fé expostos com rigor; o leitor que não crê encontrará um interlocutor que o leva a sério e não teme suas perguntas.
Ao final, resta ao leitor o essencial: nenhuma vida é vivida com verdade enquanto se recusa a olhar para o próprio fim. Talvez a questão do além seja, no fundo, a questão do agora, pois quem descobre para onde vai, começa, enfim, a compreender como deve viver.