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Sinopse
O rastro da onça é um estudo exemplar, metodologicamente perfeito e retoricamente envolvente, das potencialidades da chamada “etnografia multiespécies”, gênero na interseção entre a antropologia social, a história ambiental, a biologia e os estudos de ciência e tecnologia. Ele nos permite perceber, entre outras coisas, que o “multi-” dessa etnografia é, de fato, sempre mais de dois. Os humanos e as onças — os dois atores polares do livro — estão conectados por diversas espécies: o gado, em primeiro lugar, eixo da relação polêmica entre onças e humanos; e os cães de caça, os cavalos, os urubus, os porcos-monteiros… Nenhuma das espécies principais, por sua vez, é etnograficamente una. Os humanos são fazendeiros, peões, caçadores indígenas e estrangeiros, biólogos, turistas — e antropólogos. O gado se divide em branco e pantaneiro, manso e bagual, e muitas outras categorias. Os cães, conforme suas diversas habilidades no rastreamento e captura das onças; as onças, em subtipos das pintadas e das pardas, e em indivíduos com suas singularidades; e assim por diante. A relação de predação onça-gado é administrada pelos humanos através de dois agenciamentos humano-animal-instrumento: o vaqueiro, seu cavalo e o laço (relação humano-gado); o caçador, seus cães e a zagaia ou espingarda (relação humano-onça). Com a entrada em cena da figura do biólogo, as armas passam a atirar flechas anestésicas, e os cães se combinam com as coleiras-rádio e as armadilhas fotográficas. Rastreamento, espreita, captura.
Esta é uma etnografia de signos, uma semiografia do “mundo da onça”. Rastros e vestígios, imagens e odores, latidos e esturros; marcas do gado, coleiras das onças, voo dos urubus apontando onde a carniça. É também uma etnografia do olhar: o ver e ser visto (o trato do gado), o ver sem ser visto (a onça de tocaia), e o ser visto sem ver (as presas da onça). A questão do olhar do animal, que abre O rastro da onça por via de uma citação de John Berger, é um tema que atravessa o livro — o “ponto de vista da onça”, o olhar felino de cenas famosas na filosofia, como os gatos de Derrida e de Lévi-Strauss, a gata de Montaigne… Reciprocidade de perspectivas. E variação de perspectiva, pois, como disse o célebre onceiro de Guimarães Rosa, a onça está sempre “virando outra”. A onça é muitas: a do fazendeiro, a do caçador, a do cientista, a do Guató, a do gado. Aquela que nos olha.
Eduardo Viveiros de Castro
Ficha Técnica
Especificações
| ISBN | 9786559059751 |
|---|---|
| Subtítulo | RELAÇÕES ENTRE HUMANOS E ANIMAIS NO PANTANAL |
| Pré venda | Não |
| Peso | 312g |
| Autor para link | SUSSEKIND FELIPE |
| Livro disponível - pronta entrega | Não |
| Dimensões | 1.1 x 15.5 x 23 |
| Idioma | Português |
| Tipo item | Livro Nacional |
| Número de páginas | 212 |
| Número da edição | 2ª EDIÇÃO - 2026 |
| Código Interno | 1201361 |
| Código de barras | 9786559059751 |
| Acabamento | BROCHURA |
| Autor | SUSSEKIND, FELIPE |
| Editora | 7 LETRAS |
| Sob encomenda | Sim |
