A principal característica do Padre Brown é a de ser nada característico; o seu propósito, o de parecer despropositado; a sua mais notável qualidade, a de não ser notável. Sua aparência tão comum deveria contrastar com sua insuspeita cautela e inteligência. Ele não é maltrapilho, mas sim um tanto elegante; não é atrapalhado, mas muito delicado e habilidoso; é um irlandês perspicaz e de pensamento ágil, com a profunda ironia e um pouco da irritabilidade potencial de seu próprio povo. É assim que G. K. Chesterton descreve o seu mais famoso personagem.
Nesta quarta coletânea, talvez a mais profunda e inquietante de todas, os mistérios enfrentados por Padre Brown giram em torno do maior dos enigmas: o coração humano. Reunindo dez contos, nela encontramos “O homem com duas barbas”, ouvimos “A canção do peixe voador” e descobrimos “O pior crime do mundo”. Entre crimes aparentemente extravagantes e situações quase sobrenaturais, o pequeno sacerdote demonstra que os segredos mais perigosos não são aqueles que se ocultam nas sombras do mundo, mas os que se escondem na consciência dos homens. Ao longo de O segredo do Padre Brown, o célebre padre-detetive não busca apenas desvendar culpados, mas compreender motivos, expor ilusões e, acima de tudo, abrir caminho para a redenção das almas. E é ao avançar por essas histórias que ele próprio deixa escapar uma confissão desconcertante sobre o método que emprega — uma revelação inesperada que talvez contenha o seu segredo.