Cascudo não é um urso mau. Mas quando perde a paciência, dá um cascudo na cabeça de Sedinha, a irmãzinha — e foi assim que ficou com esse nome. No inverno ele é o urso mais comportado do mundo, porque passa a estação inteira dormindo. Na primavera, a coisa muda.
Neste primeiro volume da série Contos para dormir, Arthur Scott Bailey acompanha um ciclo completo de um ano na Montanha Azul: Cascudo acorda com a primavera e, movido por uma curiosidade que nunca aprende a controlar, se mete em vinte e três encrencas seguidas. Enfia as patas na calda fervente da casa do açúcar, desce o rio boiando numa placa de gelo, é agarrado por Dona Águia e solto no meio de um abeto, rouba um porco do Fazendeiro Green e o devolve apavorado com o guincho, come o almoço dos trabalhadores do feno, apanha do ursinho Pedro e volta para casa tão inchado de picadas que o próprio pai não o reconhece. No fim, quando a neve chega, ele adormece de novo — um pouco maior e só um pouco mais sábio.
Escrito em 1915 por um autor americano que fez carreira contando as aventuras dos bichos dos bosques e dos campos, o livro tem o humor seco e a delicadeza de uma época em que se lia em voz alta, à noite, um capítulo por vez. O narrador conversa com a criança, se finge de escandalizado com as travessuras do herói e nunca dá um sermão — a lição vem sempre embrulhada numa piada.
Esta é a primeira edição brasileira da obra, em tradução inédita de Rafaela Valejo e com as ilustrações originais de Harry L. Smith.