A Operação Paperclip nasceu sob o signo do segredo. Enquanto o mundo emergia das ruínas da Segunda Guerra Mundial, autoridades militares e agências de inteligência dos Estados Unidos recrutavam, em nome da segurança nacional, cientistas que haviam servido ao Terceiro Reich — homens ligados ao desenvolvimento de foguetes, armas químicas e biológicas, medicina aeronáutica e espacial, entre outros armamentos que ajudariam a moldar a Guerra Fria. Sob uma fachada pública inofensiva, o programa ocultava um núcleo sigiloso de omissões deliberadas, documentos secretos e alianças cujas consequências seriam imprevisíveis.
Dos túneis subterrâneos de Nordhausen — onde milhares de prisioneiros morreram produzindo foguetes V-2 — aos laboratórios militares americanos, esta obra acompanha a trajetória de vinte e um desses homens. Alguns haviam trabalhado lado a lado com Hitler, Himmler ou Göring; outros foram julgados em Nuremberg ou associados diretamente aos mecanismos de terror do regime. À medida que a Guerra Fria se consolidava, passaram a integrar programas estratégicos do Exército, da Força Aérea, da Marinha e da cia — além de projetos de medicina aeronáutica e espacial que definiriam o desempenho de pilotos e astronautas americanos.
Com base em memorandos desclassificados da jioa, dossiês de inteligência, documentos do Partido Nazista, depoimentos de Nuremberg e testemunhos diretos de filhos e netos dos cientistas, Operação Paperclip revela como o governo americano ocultou, durante décadas, a verdadeira extensão de suas relações com cientistas do Reich — e como investigadores, promotores, historiadores e sobreviventes foram desmontando os mitos construídos em torno desses homens, trazendo à luz uma história de segredos, destruição, trabalho escravo e manipulação da memória histórica. Mais do que a narrativa de uma operação clandestina, este livro expõe o encontro entre ciência, guerra e poder num dos períodos mais sombrios do século XX.