O acontecimento mais significativo e sensacional da atualidade é o surto da União Soviética. No curto lapso de tempo de quatro décadas, ela se elevou à categoria de segunda grande potência mundial.
Mediante demonstrações espetaculosas de recordes técnicos – da bomba atômica ao foguete intercontinental, dos “sputniks” aos “luniks” – e um fogo de artifício publicitário, o Estado do Leste procura demonstrar ao mundo que já se emparelhou com a primeira potência do Ocidente, os Estados Unidos, e que amanhã poderá superá-la.
Alvoroça milhões de homens este quesito: como se operou o desenvolvimento do Estado do Leste, não raro considerado um milagre? Efetivamente, por trás do fato positivo desse surto de poderio, está a ameaça permanente de um sistema que não esconde a pretensão de dominar o mundo, para lhe impor uma norma de vida diametralmente oposta ao pensamento livre, à ação liberal dos povos intelectual e materialmente mais evoluídos do nosso planeta.
Já agora, grande número de ocidentais contempla, assombrado, o colosso do Leste e, sob a impressão do que lá aconteceu e acontece, não poucos se deixam tomar de desalento; ou estão a caminho de se resignar e adaptar-se a uma sorte presumivelmente inevitável.
Puderam os russos produzir este efeito no exterior, primeiro, e, depois, atemorizar o mundo, graças a uma circunstância decisiva e lamentável: a ignorância, absolutamente incompreensível, que reina hoje no Ocidente, acerca do Estado do Leste.