“A pedagogia moderna pretendeu desenvolver-se, quando não contra, fora da doutrina cristã. Mas o fato é que aqueles que a menosprezam ou atacam levam-na em conta; que muitos vivem dela e não o sabem; outros a manifestam no seu círculo mais íntimo, e até no cumprimento cotidiano de sua tarefa educadora, mas não põem o princípio como princípio dominador e informador de sua doutrina, de seu sistema. Uno minha voz às que se vêm levantando — obedientes à voz inextinta do apóstolo das gentes, ‘restaurar todas as coisas em Cristo’ — para restaurar em Cristo a pedagogia.
[…] Jesus quer realizar as possibilidades de ser do educando. Quer rea-lizar suas possibilidades de ser tornando-o perfeito; perfeito ‘como o Pai dos Céus é perfeito’. Perfeição, em filosofia, é a realidade que um ser necessita para alcan
çar sua finalidade. Há uma perfeição essencial, constitutiva, que São Tomás chama primeira, aquela que torna o sujeito apto para cumprir seu destino. E há outra perfeição, segunda, conforme São Tomás, que se alcança quando se satisfaz todas as aptidões naturais. Referindo-se ao homem, como a finalidade, sua finalidade, não pode ser alcançada nesta vida, devemos falar de uma perfeição absoluta — a que terá ao gozar da visão de Deus — e uma perfeição relativa — a que é conquistável na Terra. Relativa é também a perfeição absoluta humana, comparada com a perfeição de Deus. Todo o desenvolvimento do homem deve ter uma só direção: a per
feição, a perfeição que está na consecução de sua finalidade”.