Moysés Pinto Neto tem sido um dos observadores mais prescientes e afiados das movimentações tectônicas na política brasileira iniciadas com as jornadas de junho de 2013, desviadas à direita pela ascensão do lavajatismo e da “nova direita”, irrompendo na eleição de Jair Bolsonaro em 2018 e se sedimentando na normalização da extrema direita como força política constitutiva da paisagem democrática brasileira. As reverberações desses processos, tumultuadas e muitas vezes imprevisíveis, seguem se desenrolando no Brasil com implicações cada vez mais globais e epocais, como vimos na ascensão de Donald Trump para um segundo mandato em 2024. A plataformização da internet, que coincidiu com a onda de protestos do início da década de 2010, lançou nossos sistemas sócio-políticos numa temporalidade hiper acelerada vertiginosa e paradoxal, de uma crise que parece irresolvível, ao menos pelos meios convencionais. Nessa conjuntura de instabilidade crônica, que tipo de perspectiva podemos adotar para sermos capazes de acompanhar, compreender e intervir nos eventos do presente, com vistas a imaginarmos - e propiciarmos - um futuro que seja diferente?