Há um governo que ninguém elegeu, cuja composição a maioria ignora — e é esse governo invisível que Edward Bernays expõe neste livro. Somos governados, temos as mentes moldadas e os gostos formados por homens de quem nunca ouvimos falar: o preço de uma sociedade complexa demais para decidir tudo por consenso direto. Sobrinho de Freud e pioneiro das relações públicas, Bernays não denuncia esse mecanismo — revela seu funcionamento a quem, sem saber, é apenas seu objeto. Entre confiar a comitês de sábios a escolha do que vestimos, comemos e votamos, ou entregar-se à livre concorrência, a sociedade moderna optou pela segunda via, e consentiu que a opinião pública fosse organizada pela liderança e pela propaganda. Alguns fenômenos desse arranjo incomodam — a manipulação das notícias, o estardalhaço em torno de produtos e ideias —, mas, para Bernays, é possível agir sobre a opinião pública com a mesma precisão de um motorista que regula a velocidade do carro pelo fluxo de gasolina. Escrito em 1928, num mundo recém-armado de imprensa de massa, rádio e telefone, este é o primeiro livro a nomear e sistematizar essa arquitetura do consentimento. Quase um século depois, seu diagnóstico continua incômodo — e necessário.