O tema do feminicídio, trazido nesta obra pelo cineasta Dimas de Oliveira Junior, a partir do resgate de casos que chocaram a sociedade brasileira no século XX, mostra-se, infelizmente, mais atual do que nunca. A pergunta que suscita o título desta obra carrega dentro de si uma inquietação maior do que qualquer resposta imediata poderia oferecer: quem ama, mata? As mulheres que habitam estas páginas viveram em outro tempo, mas não estão tão distantes de nós, mulheres do tempo presente. Existe um fio invisível tecido pelas mulheres que vieram antes, que se une às que resistem agora e que também se entrelaçará com aquelas que ainda estão aprendendo que podem escrever o próprio destino. Olhar para trás pode nos ensinar a enxergar melhor aquilo que acontece diante de nós. E, ao percorrer as histórias de Olga, Sophia, Nenê e Maria Mercedes, existe uma distância que o tempo estabelece entre nós, mas também uma proximidade que tempo algum consegue apagar. Porque há sentimentos que atravessam os séculos. O medo é um deles. A tentativa de sobreviver é outro. Portanto, meu caro leitor, que entremos nestas páginas não movidos pela curiosidade diante da tragédia, mas pelo compromisso com a memória. Porque lembrar uma mulher apenas pela violência que a matou é permitir que seu agressor ocupe também o último capítulo de sua existência. Que lembrar seja, então, uma forma de devolver a essas mulheres tudo aquilo que a violência tentou apagar: seus nomes, suas histórias, suas existências. E que seja também uma forma de olhar para as mulheres que estão entre nós e compreender que, apesar dos séculos que nos separam, algumas violências continuam encontrando novos caminhos para repetir antigas histórias. Olga, Sophia, Nenê e Maria Mercedes não se conheciam. Mas suas histórias se reconhecem. E talvez nós também possamos nos reconhecer nelas.